Coluna da Debby

Published on janeiro 12th, 2017 | by Debby Mian

Entrevista com o DJ e Produtor Alex Strunz

Tive a honra de conversar com um dos soldados e maiores artistas brasileiros que, há anos  vem levantando a bandeira do Techno e EBM por todos os lugares por onde passa, mostrando seu trabalho como DJ e Produtor e também divulgando muitos artistas que representam a cena eletrônica.

 Senta, que lá vem história!

 Welcome, Alex Strunz!

 São anos de amor e dedicação ao Techno e suas vertentes, também o Ebm Industrial, que juntos, fazem do seu estilo musical, “único”. Há quanto tempo exatamente você iniciou seus trabalhos como Dj e como tudo começou?

 R: O projeto Vector Commander iniciou em 2002, comecei com softwares simples da época como Acid Pro, Reason, Music Techno Studio, Fruityloops ,Techno Ejay, sempre aperfeiçoando e aprendendo e nunca mais parei.

 Tudo começou como uma brincadeira, fui pegando jeito pela coisa e vendo que fantástico que é criar algo próprio, comecei a me aprofundar cada vez mais nos programas. Sempre quis produzir em hardwares (mesmo começando com softwares que é o caminho natural) e foi meio que uma escola para ter experiência para ir para o outro lado.

 Produzi e aprendi tudo sozinho, acho que é legal para experiência própria em aprender novos caminhos e novas descobertas. Mais além disso, depois que esgotei as possibilidades sozinho também fiz cursos com outros professores na Dj Ban, para aprender novas técnicas e atalhos, isso é bom e abre sua mente para enxergar novos horizontes e você aprende o que jamais imaginou que existia.

 Muita gente que começa, ás vezes acha que não nasce para produzir, mais tudo pode mudar se você tiver  paciência, perseverança, estudar, experimentar e principalmente acreditar em seu trabalho independente das pessoas gostarem ou não.

 Lembrando que o seu projeto pode começar de um jeito e terminar de outro, vai da fusão que vc quer seguir ou se quer algo mais puro como um estilo clássico. Não tem regra, vai do que você quer seguir com seu coração e alma.

 A Identidade de um trabalho,demora anos para você conseguir e só de bater o primeiro kick ou synth você já sabe que é aquele artista na caixa de som.

 Muitas pessoas me perguntam sobre o nome Vector Commander. Eu sempre gostei de desenhos vetorais e emblemas de corporações do exército e precisava de um nome de impacto para meu projeto. Fiz uma lista enorme de palavras e combinações, mais o foco era que meu projeto fosse de Techno e Fusões, ou seja, o Commander (seria o comandante) da música Techno e o Vector seria o fluxograma da fusões e sub-estilos,por isso nasceu o “VECTOR COMMANDER “.

 Como Dj foi um caminho natural, pois para mim a produção é um meio de você expor as ideias da sua musica e o Dj é a plataforma de você poder mostrar a música ao seu publico. Os dois no meu caso estão interligados, acho que quando o DJ produz ele tem uma outra visão da música mais ampla que esta tocando. Acho que um Dj que não produz, ele vê a música de uma outra forma. Não que não seja ruim, mais quando ele produz parece que sua visão fica mais completa.

 O público vai á loucura na pista com seus lives totalmente undergrounds e pesados. Como surgiu a idéia de criar o projeto de Live PA Vector Commander , (que comemora 14 anos), do Machine Revenge e do Industrial Empire? De onde vem a inspiração para os sets?

 R: Comecei com os softwares, mais sempre flertei com os hardwares (as baterias eletrônicas valvuladas, sintetizadores analógicos), durante os anos comecei a comprar pouco a pouco, primeiramente para aprimorar minha música mais não pensei que iria virar meu live.

Os equipamentos no Brasil sempre foram caros, depois de anos consegui montar meu setup : Electribe Korg EMX 1(bateria eletrônica valvulada com sintetizadores) + Korg Kaos Pad 2 (unidade de efeitos) + Digitech V-300 (uma pedaleira de vozes vocoder),ai eu percebi que com esses equipamentos eu poderia fazer um live com produções próprias, minhas vozes, aonde a interferência da musica poderia ser ao vivo. E a partir de então, surgiu o Live PA Vector Commander e comecei a produzir músicas dentro dessas máquinas para poder interferir, descontruir ou re-montar através das mãos, ou seja,  no estilo man-machine (homem maquina). As máquinas são o caminho e a alma humana é a direção.

 Toquei meus Lives em muitas web rádios internacionais, em muitas festas e Clubs no Brasil e até na Espanha em 2008.

 Como a tendência é sempre crescer,vem um caminho mais difícil que é aliar os hardwares + os softwares + controladores a trabalharem juntos,o futuro será esse.

Tudo que for para acrescentar e somar a gente faz!

 As inpirações para o set do Vector,funciona como o Storyboard de um filme, você imagina como uma montanha russa, onde vai ter momentos tensos, bons, pesados e coloca isso em um papel e manda ver.

 Depois de alguns anos, também há os momentos onde nada é planejado e simplesmente flui, pelo fato de já conhecer sua música, toda a técnica e criatividade. O restante é na pista, de acordo com a energia do público.

 Nesses anos tivemos o live Techno do Vector e o Live de EBM (Electronic Body Music) que toquei para públicos diferentes. – Machine Revenge (EBM/Industrial) O Projeto Machine Revenge, é meu projeto paralelo solo de EBM Industrial, onde era mais focado nesse tipo de música com influências como: Feindflug, Front 242, Front Line Assembly.

No passado tivemos percussões industriais de tambores com o artista Erik Thurm em algumas apresentações.

 O Industrial Empire nasceu de uma idéia de fazer long DJs sets onde a música EBM, Industrial e Híbridos de várias partes do planeta, virariam uma plataforma para apresentar ao publico junto com esses sets, que no momento estão na edição 13.

 Cuido pessoalmente da parte visual entre capas com artes especiais e exclusivas para cada edição + Playlist completo, unindo o trabalho visual com o musical em um só pacote, totalmente underground.

 Além disso, podemos educar o público e fazê-lo conhecer o que há de bom  na musica underground sem ser o “mesmo do mesmo”.

 Para acessar e baixar, é só conferir no Hearthis, no seguinte link:

 www.hearthis.at/djstrunz

 Ou na página da Indústrial Empire :

https://www.facebook.com/IndustrialEmpireCorporation

A Vector Rádio, comemora 9 anos no ar pela Future Music em Londres, chegando a 195 edições e com apresentações de diversos convidados ao longo do tempo. Fale um pouco sobre esses trabalhos.

 R: É isso mesmo, a Vector Rádio comemora 9 anos em 2017, com muita determinação e mostraremos o trabalho de muitos artistas brasileiros e internacionais do Techno Underground. Mostramos nosso trabalho em diversas web rádios internacionais e atualmente estamos com   transmissão pela Future Music UK (Londres).

O programa acontece de 15 em 15 dias, sempre com 2 DJs convidados em seguida,  o programa fica disponível para download no Soundcloud e Mixcloud.

 A Vector Rádio é minha contribuição como artista em poder promover tantos talentosos artistas em diversas partes do planeta, sempre batalhando pela música underground ficar em evidência.

 É Muito gratificante chegar a quase 400 sets (entre lives e DJs) onde você pode ouvir  pelo Mixcloud  e conhecer melhor a trajetória dos trabalhos feitos pelos artistas desde o início da rádio.

 São 400 artistas, muita história e músicas sendo divulgadas pela internet, gerando muitas oportunidades no cenário musical. É fantástico!

 Estamos crescendo a cada dia e nesses 9 anos, a Vector Rádio preparou uma edição inédita da festa chamada “Vector Radio – Bunker Room”, que aconteceu no Espaço Subterrâneo Toronto, onde trouxemos talentosos DJs do mundo Techno e EBM, com direito á transmissão online da festa toda. Foi uma experiência inesquecível e gratificante.

 Acho fantástico o trabalho que é feito pela Boiler Room, e desejo que se amplie cada vez mais  movimentos como esse.

 Quem quiser, dê uma olhadinha no Mixcloud e confira  os 400 sets nos seguintes links:www.mixcloud.com/vectorradio

www.soundcloud.com/vectorradio 

www.facebook.com/vectorradiotech (fan page)

Sobre o Selo Extreme Forces, há quanto tempo está no mercado e quais foram os principais trabalhos?

 R: O Selo da Extreme Forces Records foi criado em 2010 e é um selo voltado para o “Techno Underground” remete às escuras e sombrias sonoridades diferentes e impactantes.

 Lançamos 9 EPS com diferentes artistas e remixers, indo do Dark Techno ao Acid e demais sonoridades e passando por ótimos artistas como: Mita, Hiero, Acid Chochi, Brad Lee, QPDB, Mattias Fridell, C-System, Voidloss, Subsolo, Vegim, 1811, Mindreflex, Nori, Osmo, Jerome Baker, 1811, Rodrigo Risso, Jerome Baker, James Hammer, Roman Zawodny, Halley Seidel e Austin Corrosive.

 Acho que todos os EPS foram importantes na nossa trajetória, estamos stand by no momento, mais sempre prontos a voltar.

 Os principais trabalhos podem ser conferidos no Beatport, e na page da Extreme:

https://www.beatport.com/label/extreme-forces/25740

http://extremeforces.tk/

https://www.facebook.com/extremeforces

 Sobre a cena EBM, atualmente como está, em relação á público e aos trabalhos de um modo geral?

 R: A Cena EBM (Electronic Body Music) Industrial de São Paulo onde também faço parte, sobrevive dentro da cena gótica.

Hoje em dia, as festas são esporádicas e acontecem em dois clubes, que são os  principais: o lendário Madame Satã na Noite Bats & Robots focada nesse tipo de som e o Via Underground, no Hotel Cambridge.

 Infelizmente o circuito de festas independentes diminuiu, podemos citar uma boa festa chamada Dead Zone e os clubes que citei anteriormente.

 Há também os mini festivais como: Machina Festival e o Wave Winter Music Festival.

 É sempre difícil o publico apoiar a musica underground constantemente, pois se temos maior apoio, o circuito e o cenário automaticamente fortalecem. Esse é um dos motivos no qual não acontecem festas desse estilo com mais frequência.

 Quanto ao cenário musical, a respeito do repertório EBM/Industrial, tem uma infinidade de músicas p tocar, mais nem sempre os DJs podem executar todo seu repertório, ás vezes por falta de tempo durante o set e outras vezes por falta de festas para darem prosseguimento.

 È um cenário com um alto potencial, mas sabe como é né? A engrenagem precisa girar com todas essas coisas que eu mencionei trabalhando juntas, caso contrário , não funciona.

Quais foram os eventos que você participou desde o início até hoje que foram importantes para sua carreira?

R: Passei por muito lugares e todos foram importantes para meu crescimento musical e para adquirir experiência.

 Vou citar alguns: Circuito Campari Techno com Speedy J, Love-E, Techno Route, Summertech na Espanha, Hipersônica no Festival FILE, Vegas, Aloca, Trackers, Techno Resistance, Quebra Tudo (Fosfobox).

 Tenho inclusive,  uma pasta com informações de  todos os eventos  que já participei, foram grandes momentos (risos).

Além de DJ e Produtor, você também é designer e proprietário da marca Vector Blader de canecas personalizadas,que por sinal, tem obtido sucesso total. Como você consegue administrar tantas funções ao mesmo tempo (risos)?

 R: Eu sempre gostei de criar, tanto na parte musical, como no setor de design visual. As vezes as pessoas me perguntam, como consigo administrar tantas funções ao mesmo tempo.

 Eu sou curioso e “ meio ratão na internet”(risos).

 Criar é algo que eu vejo como um dom e se o temos, pq não colocá-lo em prática?

 Eu já fazia artes gráficas há uns 4 anos atrás, ai resolvi transformar essa arte gráfica em algo físico, foi onde surgiram as canecas Vector Blader,que nada mais é do que a arte underground materializada em formato de caneca.

 Fiz cursos, investi na máquina e coloquei em prática minha idéia, as pessoas gostaram , começaram a encomendar, os produtos viraram febre e estão fazendo muito sucesso comercialmente.

 Todos podem conferir pelo  Instagram e na Fanpage,onde sempre posto as  canecas e todas as novidades em relação ás artes e o processo de criação:

 https://www.facebook.com/vectorblader

https://www.instagram.com/vectorblader/

 Atualmente, os programas via web voltados á cultura eletrônica estão em alta e com tecnologia de ponta, proporcionando maior visibilidade ao trabalho dos DJs. Em sua opinião, até que ponto a web ajuda os artistas?

 R: Eu acho uma benção esses programas terem aparecido durante esse anos, graças á tecnologia, você pode mostrar um trabalho de alguém que você nunca viu ou de um artista que você segue como fã.

 Antigamente você nem sabia que o DJ ou produtor existia, só ouvia a música dele, mas não conhecia a fundo o trabalho. Atualmente, você pode acompanhar tudo de qualquer lugar do planeta através das redes sociais e das web rádios ou web tvs.

 É uma nova plataforma de visibilidade, e quem não aderir não vai estar mostrando seu trabalho á um número maior de pessoas.

 A Internet veio para quebrar paradigmas, para ser a nova TV, para fazer algo do tipo: “Faça você mesmo” …..eu adoro isso.

 O principal, é que dá para divulgar o máximo de artistas possível gerando muito mais oportunidades no mercado musical.

“Que a tecnologia se amplie cada vez mais”.

Muitos Djs reclamam da falta de oportunidade para participar dos Line Ups nas festas, mesmo tendo uma extensa bagagem musical. O que você diria a respeito disso?

 R: No Brasil, infelizmente a falta de oportunidade é constante e a música foi deixada de lado. Ou seja, o que existe atualmente é festa para tirar selfie e não para curtir a noite com os sets dos grandes artistas, fora os preços exorbitantes dos grandes eventos da cena eletrônica. Estou dando exemplo de São Paulo, que é a cidade onde vivo.

 Estou na cena eletrônica há muitos anos e acompanhei o começo das raves e o ápice de muitos clubs. Cheguei á seguinte conclusão, hoje ou você organiza sua própria festa para tocar ou “pastará ate a eternidade”.

 Houve uma redução fortíssima dos clubs na Rua Augusta (SP), exterminaram muitas casas noturnas.

 Tirando isso,existem festas independentes onde os profissionais tem oportunidade de mostrar seu trabalho educando o público e mostrando muitas novidades.

 Algumas delas são: Vault, Vertigo, Batata Eletrônica e muitas outras. Vejo inúmeros casos de DJs com extensa bagagem musical e muito talento jogados de lado.

 Chris Liebing, fez um comentário em  um workshop no Love – E há muitos anos atrás e nunca vou me esquecer. Ele disse que na Alemanha não tinha espaço para tocar, então ele criou a própria realidade, criou seu espaço para poder divulgar e explodiu musicalmente no mundo.

 Se vai acontecer com todos? Claro que não, mais temos que nos espelhar no melhor, tenho certeza que muita gente pensou em desistir, ou já desistiu,mas é aquele negócio, se você não acreditar no que você faz, pode se tirar 50 % de sua força, pois será praticamente impossível você seguir em frente sem seu próprio apoio. Tenha Foco em sua música, se não for aqui será em outro lugar, eu acredito nisso.

 Você acha que o Brasil é um país que apoia a música eletrônica de um modo geral?

 R: Acho que tem potencial para ser um dos melhores do mundo, mais não no sentido de apoiar a música eletrônica. Está longe disso, infelizmente.

Ah,o público está curioso para saber sobre o Lançamento do web site Vector Commander. Quando irá ao ar?

R: Então Debby, e se eu te falar que eu deixei o site para estrear justamente no dia dessa entrevista? (risos)

Já estou há  alguns meses programando e reunindo todas as informações que abrangessem meus  trabalhos e projetos de uma forma geral.

Confiram o website pelo link:

http://djstrunz.wixsite.com/vectorcommander

 Curtam também a página do meu Facebook:
A Fanpage:

www.facebook.com/vectorcommander

 Quais seus demais projetos para 2017?

 R: Meus projetos para 2017, é lançar meu novo álbum que estou preparando há alguns meses, é o Cruel Reality, ele vem com várias faixas novas.

 A Vector Rádio continuará a todo vapor sempre buscando o melhor!

 2017 vem com tudo e cheio de novidades!

Gostaria de deixar uma mensagem á alguém em especial ou ao seu público que o acompanha desde o inicio?

 R: Gostaria de agradecer a todos que me seguem e prestigiam meu projeto Vector Commander, pois  o publico  é o combustível para prosseguirmos nessa jornada musical.

Gostaria também de agradecer á todos os Clubs e festas por onde passei,que me ajudaram a ser o que eu sou hoje.

Em especial, agradeço aos grandes amigos,  o Péricles Ramos e o DJ Xell aka Michel Santos.

Obrigado Debby pela oportunidade de ter essa entrevista e mostrar meu trabalho.

LETS GO VECTOR! ROGER THAT …….WE FIGHT FOR UNDERGROUND MUSIC VECTOR COMMANDER!

 

Acesse o site e fique por dentro de todos os seus trabalhos!

http://djstrunz.wixsite.com/vectorcommander

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Jornalista, estilista, apaixonada por música, moda e comunicação. Leia mais sobre música, moda e muito mais no meu blog http://www.debbymian.com



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