Published on maio 1st, 2016 | by Debby Mian

Debby entrevista DJ Mau Mau


Queridos, tive a honra de conversar com o querido e talentosíssimo Mauricio Bichain (DJ Mau Mau) , um dos pioneiros da cena eletrônica brasileira.Sempre carismático e dono de um Feeling Musical inigualável, ele arrasta multidões em suas apresentações nacionais e internacionais.

Conseguiu fidelizar um público que o acompanha a quase 30 anos, desde o começo de sua trajetória.Esse tem história para nos contar, Let´s Go!

 O que você fazia profissionalmente antes de se tornar músico?

R: Comecei a tocar no Madame Satã ainda muito jovem. Na época, trabalhava como caixa no Banco Bradesco durante a tarde e a noite fazia curso de  Publicidade. Nos finais de semana, além de me arriscar nos toca-discos, também fazia parte de um grupo de Street Dance.Trabalhei também no DMC Brasil por alguns anos.

 Quando te deu o famoso “ Start”, onde você sentiu que deveria se tornar DJ? Como foi essa época e quem te apoiou?

R: Depois de dois anos tentando conciliar o curso de Publicidade com as investidas na noite, chegou o momento que precisei decidir.

Resolvi pedir demissão no Banco para me dedicar ao que me dava prazer : Tocar ! Minha família foi totalmente contra, não entenderam minha escolha e para não gerar mais conflitos, resolvi sair de casa e seguir minha vida sem depender dos meus pais.

Foi uma fase difícil, uma das  pessoas que me apoiou foi o DJ Marquinhos MS.

Foram inúmeros eventos e participações em casas noturnas e diversos festivais nacionais e internacionais. Em sua opinião, quais trabalhos que mais visibilizaram seu trabalho?

R: Meu trabalho começou a ter destaque quando fui residente do Sra Kravitz, Club Underground de São Paulo no início dos anos 90.

Foi o primeiro lugar onde tive total liberdade para conduzir a noite, sem me preocupar em tocar hits.

Tanta ousadia nos sets chamou a atenção da jornalista Erika Palomino, que começou a divulgar meu nome em sua coluna Noite Ilustrada , publicada durante 10 anos no jornal Folha de São Paulo.

Depois tive minha residência no  Hell’s Club, primeiro After Hours do Brasil, foi de grande importância para minha carreira. A partir daí, foram várias investidas e muita dedicação e as oportunidades foram surgindo !

 Você teve participação no carnaval baiano de 2000, formando o primeiro trio elétrico Techno. Como foi esse momento, para você?

R: Meu projeto M4J tinha acabado de conquistar a Europa com o lançamento do álbum “Brazil Electronic Experience”, com misturas de ritmos brasileiros e música eletrônica.

 Simultaneamente, Daniela Mercury havia experimentado sua primeira Love Parade em Berlin e eufórica com a nova experiência,  pensou em fazer algo parecido no Brasil.

Quem fez a ponte para o trio electrônico acontecer em Salvador, foi o produtor musical Dudu Marote que me apresentou a Daniela, e conduziu os ensaios.

Foi um grande desafio participar de algo inédito, ao lado de uma grande artista popular. Daniela foi muito simpática e profissional em todo o processo.

Nossa apresentação, no tradicional carnaval de Salvador, teve momentos únicos de aplausos e euforia, mas também teve vaias dos mais conservadores, que não suportaram aquele “Bate-Estaca” vindo dos discos de vinis.

Em 2003, na famosa Parada Ame, houve um momento onde todos os trios elétricos do evento, tocaram seu set ao mesmo tempo.  Fale um pouco sobre essa experiência.

R: A Parada Ame faria uma homenagem anual, aos formadores de opinião e pessoas influentes no cenário musical.

Fui o primeiro escolhido e único também, pois infelizmente não houveram outras edições.  

Recebi o convite com muita alegria, foi  emocionante tocar para tantas pessoas ao ar livre em minha cidade.

Como produtor, você lançou o álbum “ Music Is My Life”. Como foi a repercussão desse trabalho?

R: Depois de ter lançado dois álbuns do meu projeto M4J, pela gravadora TRAMA e duas compilações pela Fieldzz Records, estava na hora de mostrar meu trabalho solo. “Music Is My Life” foi uma retrospectiva com canções inspiradas em  momentos importantes que marcaram minha carreira.

Uma das músicas de divulgação, a “Space Funk”, ganhou um vídeo clip dirigido pelo diretor Hank Levine e foi indicada ao Video Music Brasil da MTV, em 2004.

Outras três músicas do álbum, foram selecionadas e lançadas pelo selo europeu Crayon, conquistando vários elogios de revistas especializadas pelo mundo.

Três anos depois, lancei meu segundo álbum pela gravadora TRAMA, o Art Plugs and Soul, mais minimalista e introspectivo, levando o ouvinte a uma viagem mais tranquila e fora das pistas.

Teve a oportunidade de trabalhar com diversos artistas. Como surgiu o convite para o remix da música “ É proibido fumar” do Roberto Carlos?

R: O convite veio por parte do idealizador do projeto, o meu amigo DJ Felipe Venâncio, foi ele quem teve a idéia e correu atrás de tudo.

O projeto teve várias fases e depois de quase dez anos entre negociações e seleção dos participantes, finalmente meu remix foi aprovado e ainda rendeu participação no tradicional  show de fim de ano, com o próprio Roberto Carlos.


Você imaginou que um dia seria considerado um dos melhores do mundo?

R: Nunca imaginei e nem almejei. Na verdade, considero o maior prêmio de todos o simples fato de sobreviver apenas trabalhando com música e ter conquistado fãs, fazendo o que gosto! Já ganhei mais de 30 prêmios entre revistas e jornais especializados.

Claro que fiquei muito feliz e grato, eles impulsionaram outras conquistas.

São quase 30 anos de boa música, com um feeling musical e profissionalismo indescritível. Você acha que esse é o  segredo para fidelizar um público que o acompanha a todo esse tempo?

R:  No final deste ano, completo 30 anos de profissão. Acredito que minha paixão, dedicação e um pouco de criatividade, são fatores importantes. Hoje em dia com as redes sociais, o contato direto e a atenção com os fãs também contribuem para permanecer em atividade.

Quais são seus projetos atualmente e quais os planos para este ano?

R: Atualmente tenho dividido meu trabalho entre cabine de som e estúdio, são muitas parcerias, projetos, remixes e convidados especiais.

Com o produtor e parceiro de estúdio Franco Junior, temos três Eps saindo nos próximos meses, por selos nacionais e internacionais.

Com a DJ  Paula Chalup somos o Duo 2attack, fazendo apresentações no formato back 2 back e produzindo em estúdio.

Recentemente comecei a remixar músicas brasileiras, com o produtor  Dr J.

No próximo mês, tem lançamento do meu remix para a canção “Será” de Rodrigo Pitta, com participações de Ana Carolina e Elza Soares.

Tem também meu remix para  “Movement”, do projeto 2nd Round, com  lançamento previsto para esse ano .

Nessa correria toda, ainda sobra um tempinho para as apresentações no formato b2b, com meus amigos Renato Cohen e Anderson Noise.

Gostaria de deixar um recado para seus fãs e para todos os parceiros que o acompanham durante toda a sua jornada?

R: Só tenho a agradecer por tantos anos felizes nas pistas e cabines de todo o Brasil.

Minha dedicação e paixão não fariam sentido sem o público que me acompanha.

Meu trabalho nunca foi para atingir a maioria das pessoas, não tenho apelo comercial forte, não costumo tocar Hits ou “músicas do momento” , mas mesmo assim, consegui manter uma forte conexão com o público, e isso não tem preço.

 Entrevista realizada em Maio de 2016

Música, moda e muito mais em www.debbymian.com

 

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Jornalista, estilista, apaixonada por música, moda e comunicação. Leia mais sobre música, moda e muito mais no meu blog http://www.debbymian.com



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