Coluna da Debby

Published on junho 9th, 2018 | by Debby Mian

Debby entrevista Clemente Tadeu Nascimento, um dos precursores do Punk Rock Nacional

Você é um dos pioneiros do Punk Rock no Brasil. Iniciou sua carreira no final da década de 70 e influenciou toda uma geração que acompanha seu trabalho até os dias de hoje. Como despertou seu interesse em ser músico e quais foram suas influências musicais?

 R- Eu comecei em 1978, com o Restos de Nada. Tudo foi acontecendo, o cara que realmente queria tocar era o Douglas Viscaíno, guitarrista do Restos de Nada, ele adorava solar e precisava de alguém pra fazer a base, então ele me ensinou a tocar em 1976/77 e eu fui tomando gosto pela coisa. As influências iniciais, The Who, Hendrix, Black Sabbath e Chuck Berry.

Você fez parte das extintas bandas RESTOS DE NADA e N.A.I (posteriormente chamada de CONDUTORES DE CADÁVER) e ficou mundialmente conhecido com as bandas INOCENTES e PLEBE RUDE, que foram de grande importância para a cultura do Rock nacional. Você poderia falar resumidamente um pouco sobre a trajetória do seu trabalho em cada uma delas?

R- Ah, cada banda reflete um momento da vida. O Restos de Nada, foram os pioneiros, o Condutores a banda que organizou os primeiros festivais punks, o Inocentes a banda que marcou na descoberta do punk pela grande mídia, participou do primeiro disco punk brasileiro, a coletânea Grito Suburbano e está aí até hoje, 25 anos com a mesma formação e a Plebe é a banda que eu mais gostava de Brasília, banda irmã do Inocentes e hoje estou com eles.

Um dos locais onde consolidou-se o rock em São Paulo, com a apresentação de grandes nomes da época, foi o lendário Napalm. Fale um pouco sobre esse local e sobre a época.

R- Foram só duas bandas punks que tocaram no Napalm, o Inocentes e o Ratos de Porão, a casa consolidou a cena pós punk e new wave que estava começando, com os primeiros shows do Titãs, Ira, Mercenárias, Azul 29, Coke Luxe entre outras, no último final de semana, tocaram Legião Urbana e Plebe Rude. Mas foi uma casa que consolidou a cena que iria se destacar alguns anos depois

Com a Banda INOCENTES, você fez parte da coletânea GRITO SUBURBANO lançado pelo selo PUNK ROCK DISCOS em 1982. Como foi para você fazer parte de uma banda que em meio a tantas outras, foi escolhida para participar de um trabalho de tanta visibilidade no cenário do punk rock e como foi esse trabalho?

R- A banda foi convidada por que era boa, arrastava público, assim como o Cólera e o Olho Seco, em 1981 nós já éramos “veteranos” pois tínhamos começado em 1978/79, então tínhamos mais experiência, equipamento, tínhamos boas canções, tocávamos melhor e com isso ganhamos destaque.

Em 1983, vocês gravaram o primeiro LP “MISÉRIA E FOME”, tendo as 13 músicas que continham nele, censuradas, fazendo com que vocês modificassem as letras de algumas músicas. Aquela época a maioria das bandas sofriam com a censura em suas letras, que na maioria das vezes falavam sobre política. Fale um pouco sobre esse trabalho e sobre as mudanças que fizeram nas letras (o que mudaram).

R- Foram mudanças pontuais, mudar o nome da letra e acrescentar uma frase aqui e ali, por exemplo, a música “Miséria e Fome”, ganhou o nome de “Depois de Tudo Que eu Vi e Aprendi”. Fazia parte do contexto da época, era difícil, mas acho que o mais importante era a poesia que era boa, pois hoje sem censura, tem muitas letras que falam de política, mas poeticamente deixam a desejar.

Foram muitas as apresentações nos palcos, ao lado de várias bandas de grande visibilidade nacional. Posteriormente, vocês realizaram shows com direito a abertura para a LEGIÃO URBANA e RAMONES. Qual foi a emoção de fazer parte de shows ao lado dessas bandas?

R- Quando abrimos o Legião em 1985 no Circo a banda ainda não tinha o status que tem hoje e eles eram apenas uma banda amiga. Já abrir para o Ramones em 1994, para o Sex Pistols, Bad Religion em 1996, foi mais interessante, não por estar no mesmo palco que os caras, mas por poder assistir ao show de um lugar privilegiado e ver bandas que influenciaram a gente bem de perto. Mas é mais um show e muito mais difícil de se fazer, pois os fãs podem ser cruéis com a banda de abertura, tínhamos que matar um leão por dia, mas o resultado foi satisfatório.  

A partir de quando você assumiu os vocais da PLEBE RUDE e o que foi conciliar as duas “CREWS”?

R- Eu assumi em 2004, conheço eles desde 1983, foi super natural, temos as mesmas influências, já era fã e conciliar as duas bandas é tranquilo, difícil é lembrar de tanta letra. Os dias mais legais é quando tocam as duas bandas juntas, trabalho em dobro…rsrs.

O sucesso com o PLEBE RUDE foi absoluto, com apresentações em shows por todo o Brasil, rádios e programas de TV, vendendo mais de 500 mil cópias de seus seis discos, com direito a premiação do Grammy latino de melhor álbum brasileiro. Em sua opinião, quais foram os trabalhos mais importantes desde a trajetória da banda?

R- Cada show é uma conquista, gosto de tudo que lançamos juntos, R ao Contrário, Nação Daltônica, o DVD Rachando o Concreto, Primórdios o trabalho mais recente. Tocamos no primeiro Lollapalooza no Chile e no Brasil, nessa ordem mesmo. Abrimos uma turnê toda do Guns & Roses, 5 shows pelo Brasil, sempre tem um show importante ou legal para fazer, dia 09/06 tocamos com o Zero no Circo Voador, vai ser demais, essa dobradinha não acontece desde 1987.

De todos os trabalhos que você realizou nas duas bandas, quais foram os mais importantes e que te deram maior prazer em fazê-lo?

R- Todos os trabalhos me dão prazer em realizar, gosto das duas bandas é um envolvimento de vida, não consigo destacar nenhum em especial, vou sempre falar do mais recente e o da Plebe é o Primórdios que acabamos de lançar.

De onde surgiu o convite para apresentar o programa FILHOS DA PÁTRIA na Rádio Kiss?

R- O Evaldo coordenador da Kiss que me chamou, queria um programa e eu sugeri um só de rock nacional e ele adorou a ideia, foram ele e o Gastão que batizaram o programa.

Com o Gastão Moreira (ex VJ da MTV), você realizou alguns trabalhos, inclusive como diretor artístico do programa MUSIKAOS, transmitido pela TV Cultura e apresentado por ele.  Como foi sua experiência durante essa época?

R- A gente era feliz e sabia, conseguimos fazer um programa que marcou época, levamos vários nomes que gostamos ao programa e lançamos muita gente lá, aprendi muita coisa de TV com ele e com o Pedro Vieira diretor do programa.

“CLEMENTE E A FANTÁSTICA BANDA SEM NOME”, como surgiu e qual foi o principal trabalho?

R- Só temos um trabalho, o disco Antes Que Seja Tarde. Sempre você tem canções que representam uma outra faceta sua, mas que não cabem no trabalho das suas bandas principais, aí vem a necessidade de lançar um disco solo, esse saiu em 2016, estamos preparando o próximo.

Quais os trabalhos ou projetos que você está envolvido atualmente?

R- Sou apresentador e diretor artístico do Showlivre.com, do Heavy Lero com o Gastão e do programa de rádio Filhos da Pátria e toco com o Inocentes, Plebe Rude e A Fantástica Banda, e discoteco nas horas vagas.

Gostaria de deixar uma mensagem especial para os fãs que acompanham seu trabalho desde o início?

R- Não deixe o rock morrer em você

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Jornalista, estilista, apaixonada por música, moda e comunicação. Leia mais sobre música, moda e muito mais no meu blog http://www.debbymian.com



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